Folclore Brasileiro

Mitos e Lendas do Brasil, mitologia, contos e lendas populares, lendas e mitos da cultura popular brasileira, saci-pererê, curupira, boitatá, lobisomem e mula-sem-cabeça, festas populares, Dia do Folclore, festividades e comemorações, contos folclóricos do nordeste
Mula-sem-cabeça e Curupira



O que é Folclore
Podemos definir o folclore como um conjunto de mitos e lendas que as pessoas passam de geração para geração. Muitos nascem da pura imaginação das pessoas, principalmente dos moradores das regiões do interior do Brasil. Muitas destas histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou apenas para assustar as pessoas. O folclore pode ser dividido em lendas e mitos. Muitos deles deram origem à festas populares, que ocorrem pelos quatro cantos do país.
As lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuraram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais.
Os mitos são narrativas que possuem um forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais se misturam com fatos da realidade para dar sentido a vida e ao mundo.
Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil:
Boitatá
Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".
Boto
Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.
Curupira
Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.
Lobisomem
Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.
Mãe-D'água
Encontramos na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água : a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.
Corpo-seco
É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.
Pisadeira
É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.
Mula-sem-cabeça
Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.
Mãe-de-ouro
Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.
Saci-Pererê
O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.
Curiosidades:
- É comemorado com eventos e festas, no dia 22 de Agosto, aqui no Brasil, o Dia do Folclore.
- Em 2005, foi criado do Dia do Saci, que deve ser comemorado em 31 de outubro. Festas folclóricas ocorrem nesta data em homenagem a este personagem. A data, recém criada, concorre com a forte influência norte-americana em nossa cultura, representanda pela festa do Halloween - Dia das Bruxas.
- A palavra folclore é de origem inglesa. A termo "folk", em inglês, significa povo, enquanto "lore" significa cultura.
Muitas festas populares, que ocorrem no mês de Agosto, possuem temas folclóricos como destaque e também fazem parte da cultura popular.


























Folclore Nacional
Principais aspectos do folclore nacional, diversificação, características do folclore de cada região, lendas, personagens, festas e danças



Folclore Nacional: riqueza e diversificação cultural



Folclore Nacional: riqueza e diversificação
O Folclore Nacional é muito rico e diversificado. Em cada região do Brasil podemos encontrar diversos contos, lendas e personagens que estão estritamente relacionados com a cultura popular, principalmente, das áreas mais interioranas. Esse folclore é fruto, principalmente, da cultura oral e foi passando de geração para geração com o passar dos anos.
Folclore do Nordeste
Muito rico e diversificado, o folclore nordestino é um dos mais importantes aspectos culturais da região. Nos contos e lendas, são transmitidos valores, crenças, comportamentos e elementos imaginários do povo nordestino.
Cirandas: este tipo de dança folclórica cantada é muito comum no Nordeste, principalmente em Pernambuco. Nestas cirandas participam crianças e também adultos.
Bumba-meu-boi: surgiu no Nordeste e espalhou-se para a região norte do país. Com muita música, dança e brincadeira, é um dos mais representativos espetáculos do folclore nordestino. O evento gira em torno de uma carcaça de boi decorada, conduzida por um homem, que faz coreografias que são seguidas pelos outros participantes.
Não podemos deixar de destacar também a importância do frevo e do maracatu.
Na região Sudeste, podemos destacar várias lendas e contos folclóricos. Estes contos estão ligados à cultura da região e servem como elementos de entretenimento ou de divulgação da sabedoria popular. As lendas que mais se destacam na região são: Saci-pererê, curupira, boitatá e mãe-de-ouro.
Com relação às danças folclóricas do Sudeste, podemos destacar: Batuque, Catira (Cateretê), Cana-verde, Caxambu, Jongo, Quadrilha e Fandango. DANÇA
Frevo: Dança e música do carnaval em Recife, de rítmo agitado e impetuoso, cujos numerosos participantes(passistas), vestidos com fantasias típicas e agitando no ar pequenos guarda-chuvas coloridos, executam coreografia individual, singularizada por ágil movimento de pernas que se dobram e estiram freneticamente. A sombrinha usada pelos pernambucanos durante o frevo, era usada pelos escravos, que utilizavam bengalas de madeira, para atacar, se defender. As pernadas, o giro, a tesoura, etc. existe na capoeira, só que no frevo é utilizado em rítmo acelerado.
Capoeira: Tudo leva a crer que a capoeira, um misto de dança e luta, tenha sido criada e desenvolvida no Brasil pelos escravos e seus descendentes, como meio de defesa, com base em tradições africanas, pois as referências populares e de estudiosos sempre mencionam as capoeiras de Angola e Regional.
O expoente máximo da primeira foi Mestre Pastinha; e da segunda Mestre Bimba que, além de nela introduzir variações sutis, criou os golpes “ligados” e “cinturados”, que não existem na capoeira de Angola, forma original da luta/dança. Segundo Mestre Pastinha, “capoeira é ginga, é malícia”. Ambos têm milhares de seguidores, em todo o mundo.
Em seu desenvolvimento, a capoeira tomou uma forma de revide, em resposta às ameaças e agressões físicas sofridas pelos escravos. Como arma de combate, ela utiliza os braços, as pernas, as mãos, os pés, a cabeça, os cotovelos, os joelhos e os ombros. Dos grupos de capoeira participam lutadores, com golpes de ataque e defesa, e instrumentistas.
Os instrumentos utilizados na capoeira são: berimbau de barriga, caxixi, atabaque, pandeiro e reco-reco. O berimbau é o mais importante deles, pela sua originalidade e por dirigir o ritmo da luta. Existem vários toques, cada um com sua finalidade.

RELIGIÃO
Candomblé: Nem precisa ser adepto do Candomblé para vestir roupas brancas na sexta-feira. Esta já é uma tradição na Bahia, em homenagem ao deus Oxalá que, no sincretismo, representa Jesus Cristo. E muitos outros costumes, trazidos com essa religião afro, já se incorporaram ao dia-a-dia dos baianos, de todas as raças e classes sociais.
No início da colonização, os rituais do candomblé eram praticados nas próprias senzalas e nos terreiros das fazendas, onde trabalhavam os escravos africanos e seus descendentes. O mais antigo terreiro de Candomblé da Bahia nasceu há 450 anos, é conhecido como Engenho Velho ou Casa Branca e fica na avenida Vasco da Gama, em Salvador. Deste, originaram-se duas casas, ainda hoje de grande importância: o Gantois, na Federação, e o Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, que deram origem a muitas outras, em cada canto de Salvador, das principais cidades do interior e de outros estados brasileiros.
Culto antigo, o candomblé tem como objetivo a adoração aos orixás, considerados como espíritos da Natureza, provenientes dos elementos terra, fogo, água e ar. São deuses guerreiros, protetores da caça, da maternidade, reis e rainhas da África, e outros, que vivem nos corações de seus descendentes. Eles são venerados em iniciações secretas e em festas de um ciclo anual, dedicadas a cada um deles. Nas festas, abertas ao público - homem de um lado, mulher de outro - os filhos-de-santo e adeptos dançam vestidos com as roupas e cores características, ao som de atabaques, entrando em transe e incorporando os espíritos dos orixás.
Ser baiana de acarajé significa muito mais do que ser uma vendedora ambulante, com seu tabuleiro, oferecendo os deliciosos quitutes da culinária afro-baiana. A maioria delas faz esse trabalho como “obrigação de santo”, reverenciando os orixás que guiam suas cabeças – inicialmente apenas Iansã – e, em troca, tiram daí o seu sustento e o de suas famílias.
A cada dia, ela está vestida com as cores do santo daquele dia e exibe no pescoço as guias de contas na cor do santo de sua cabeça e outros orixás dos quais gosta (ou os quais precisa) reverenciar. A roupa, de origem africana, já se transformou em marca registrada: a roupa de baiana, com saia rodada, blusa rendada, pano da costa, turbante, sandália fechada na frente e aberta atrás.
Um outro atestado de que existe reverência religiosa aos orixás do candomblé, na atividade de baiana de acarajé, são os pequenos acarajés fritos antes da primeira fritura comercial, dedicados aos orixás meninos, os ibêje.

FESTAS
Festa de Iemanjá: Dia 2 de fevereiro é dia de festa na terra e no mar para reverenciar Iemanjá. A deusa dos oceanos é homenageada todos os anos pelos baianos e turistas que lotam as ruas e praias do Rio Vermelho, o bairro boêmio de Salvador, para participar da grande festa, que é a entrega do presente à rainha das águas.
Desde as primeiras horas da manhã, os fiéis começam os preparativos para a grande festa. Formam-se filas quilométricas de devotos para colocar as oferendas e pedidos nos balaios, que são guardados na Casa do Peso – uma espécie de templo à divindade – até a hora de serem levados para alto mar.
Os presentes são, na maior parte, pentes, espelhos, sabonetes, talcos, perfumes e muitas flores, tudo que possa interessar a uma mulher vaidosa. Contam os pescadores mais antigos que houve época em que colocaram até jóias como forma de agradecer as graças alcançadas. O ponto alto da festa acontece no final da tarde, quando o cortejo marítimo de cerca de 500 embarcações leva para alto mar os balaios que vão ser “arriados”. Nesse momento, a multidão se espalha ao longo da praia e sobre os rochedos, ao mesmo tempo em que entoa cânticos em yorubá, ao som dos atabaques, chamando Iemanjá para receber aquelas oferendas.
De vários pontos da praia do Rio Vermelho dá para apreciar a cerimônia, que é de rara beleza. No saveiro que puxa o cortejo vai o presente principal dos pescadores, que pedem melhores pescarias e águas tranqüilas. Mais atrás, as outras embarcações levam outros balaios e dão um colorido especial ao mar, seguindo fielmente o saveiro principal em procissão. Quando as embarcações chegam no local determinado para “arriar” os balaios, acontece um momento de apreensão: conta a lenda que, se a Mãe d’Água não aceitar as oferendas, os balaios flutuam sem afundar no mar, o que, para os pescadores, é mau sinal. No entanto, o ritual serve também como um afago para a Senhora dos Mares, que sempre recebeu os presentes dos devotos.
Como a maioria das festas de largo de Salvador, acontece em paralelo aos festejos religiosos, uma grande festa de largo que se estende, com muita animação, até a madrugada do dia seguinte. No largo de Santana, próximo à Igreja, e nas ruas laterais são armadas barracas, freqüentadas por muita gente que, depois de depositar os presentes nos grandes balaios, reúne-se nas barracas para beber e cantar num animado samba-de-roda.
Iemanjá é sincretizada como Nossa Senhora da Conceição e, nos templos de candomblé, o sábado é considerado como seu dia de devoção e sua cor é o azul claro. Ela um orixá marítimo, considerado a entidade feminina mais importante do candomblé. No simbolismo afro-brasileiro, a divindade é representada como uma mulher de grande ventre e seios volumosos com uma gamela na cabeça. Na Bahia, esta imagem foi suplantada pela da sereia. Na cerimônia do candomblé, a dança de Iemanjá é solene, cheia de ondulações, semelhante ao movimento das águas do mar.

LITERATURA
Literatura de Cordel: É um gênero derivado do romanceiro europeu que se desenvolve desde o tempo de Carlos Magno. O nome "Cordel" vem dos varais improvisados com cordinhas para pendurar os folhetos com versos que relatam acontecimentos dramáticos do cotidiano da história política, ou reproduzem lendas e histórias. Os folhetos são impressos em papel barato e ilustrados com xilogravuras e encontrados principalmente no Nordeste e nas cidades para onde houve grande migração de nordestinos. Os próprios artistas costumam vendê-los nas feiras e ruas.
No início do século, estudiosos do folclore brasileiro temiam que o cordel - principal fonte de informação das populações mais pobres do interior - desaparecesse com o aumento das tiragens dos jornais, o que acabou não acontecendo. Mas há adaptações, principalmente em São Paulo, onde vive a maior comunidade de nordestinos do Brasil. Surge o cordel industrializado, impresso em gráfica, em papel de melhor qualidade e com conteúdo mais literário.
Temas principais - As grandes enchentes, as vidas dos artistas mais populares, as façanhas de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900 - 1938) e seus cangaceiros, a epopéia do rei Carlos Magno e os Doze Pares de França são alguns dos temas dos cordéis de maior tiragem. Um dos campeões de vendas é A morte de Getúlio Vargas, lançado logo após o suicídio de Getúlio, em agosto de 1954, vendeu 70 mil exemplares em 48 horas. Um dos poetas de cordel mais conhecidos é o pernambucano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), autor de mais de mil títulos.
A literatura de cordel é classificada em três grupos: folhetos (08 páginas), romances (16 páginas), estórias (32 a 48 páginas).

TRADIÇÕES
Reisado: Auto popular profano-religioso, formado por grupos de músicos, cantores e dançadores, que vão de porta em porta, no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, anunciar a chegada do Messias, homenagear os três Reis Magos e fazer louvações aos donos das casas onde dançam.
Sua principal característica é a farsa do boi que constitui um dos entremeios ou entremeses, onde ele dança, brinca, é morto e ressucitado.
Portanto, no sentido estrito, são reisados em Alagoas, além do próprio Reisado, o Bumba-meu-Boi e o Guerreiro. A marca alagoana do reisado é que no Estado ele sincretizou (misturou) com o Auto dos Congos, por si próprio já um Reisado.
A origem desse folguedo é portuguesa. Em Portugal, na Idade Média, era costume os grupos de janeiro e reiseiros sairem pelas ruas pedindo que lhe abrissem as portas e recebessem a nova do nascimento de Cristo. Os donos das casas recebiam os grupos e a eles ofereciam alimento e dinheiro.
Lavagem do Bonfim: Todo mês de janeiro, milhares de romeiros juntam-se em Salvador para lavar as escadarias da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Esse ritual iniciou-se no século XVIII, ainda muito timidamente. Com o passar do tempo, o número de participantes foi aumentando e, hoje, é uma das mais tradicionais cerimônias religiosas do país. Depois da lavagem, os romeiros vão para as ruas da cidade, onde fazem uma grande festa, com direito a capoeira, samba e muita comida típica.

COMIDA TÍPICA
A formação cultural do Nordeste, região com área de 1.561.177,8km2, gerou a mais diversificada culinária do Pais. Marcada, no entanto, por singulares diferenças. São inúmeras as alternativas, a começar pelos pratos vindos da Africa. Comece pelos abarás e acarajés, na Bahia. Ante-pastos aos vatapás e às moquecas de peixe, de ostras, de camarões, iguanas douradas pelo azeite de dendê. Há, também, pratos à base de peixes dos mais vários tipos, servidos em formas várias:
sopas, escaldados, cozidos. E casquinhas de caranguejo, frigideiras de siri mole e cavaquinhas. Não é só no mar que nascem as delicias. Oferece a cozinha nordestina pratos exóticos, elaborados com carnes de porco, de cabrito, de carneiro. E aves. Prazeres que vão desde as tripas à sergipana até a carne de sol à Natal, passando pelo xinxim de galinha e pela galinha d’Angola de Teresina.
No Nordeste, é fundamental também provar a feijoada à alagoana, o cozido à baiana, o mocotó e o bobó de inhame, criações capazes de acalentar os mais exigentes paladares. À sobremesa, delicie-se com cocadas, sorvetes e refrescos feitos com frutas típicas, como taperebá, manga, araçá, cajú e pitanga, graviola e mangaba. Há mais, porém. No Maranhão, estado que faz parte também da Região Norte, entregue-se, de corpo e alma, aos camarões, servidos como melhor lhe convier. Mas não se esqueça de degustá-los fritos, ao alho e óleo. E uma pedida fundamental. Que prepara o espírito para incursões pelo pudim de peixe maranhense, acompanhado de arroz de cuxá.

O folclore da região possui possuí uma interessante miscigenação de elementos culturais indígenas, africanos e europeus (principalmente portugueses, alemães e italianos). As danças são muito importantes no folclore da região. Podemos citar como exemplos de danças folclóricas do sul do país: chula, baião, congada, cateretê, pau de fitas, marujada, chimarrita e jardineira.
Já com relação as lendas folclóricas, são mais comuns na região: boitatá, lenda do Sapé, Negrinho do Pastoreio, Tiaracajú, Saci-Pererê e Curupira.
Folclore do Norte
Muito marcado pela influência indígena. Muitos contos e lendas surgiram da imaginação e sabedoria dos povos indígenas da região. São típicas da região as seguintes lendas: Boto Cor-de-Rosa, Iara, Vitória-Régia, lenda da Mandioca e Uirapuru.
As festas e danças típicas do norte são: Carimbó, Ciranda, Boi-Bumbá e Marujada.
Folclore do Centro-Oeste
As lendas mais comuns na região Centro-Oeste do Brasil são: Ramãozinho, Saci-pererê, Lobisomem e Pé-de-garra. Com relação às festas tradicionais, podemos destacar: carvalhada, festas juninas e touradas. As dança folclóricas são: congada, folia de reis, tapiocas, cururu e tambor.























Vivendo o folclore – parlenda – Escatumbararibê
Objetivos:
• Criar estruturas rítmicas e sonoras adaptadas à rítmica das palavras de uma parlenda.
• Criar movimentos com o corpo acompanhando a leitura da parlenda.
Material necessário:
• Parlenda “Escatumbararibê” – Letra da parlenda aqui!
• Voz, corpo;
• Objetos sonoros disponíveis;
• Quadro branco ou de giz;
• Folhas de papel
Parlenda – versos rimados falados com ritmo bem marcado. Geralmente não têm música e quando a têm , a melodia é simples. É brincadeira de iniciativa das próprias crianças.
Desenvolvimento :
• Questionário que seja uma parlenda.
• Dividir a turma em 2 grupos.
• Distribuir a letra da parlenda para cada grupo.
• Explorar as diversas formas de leitura da parlenda.
Ler:
• Lentamente;
• Acelerando;
• Para alguém que está distante (forte);
• Para alguém que está perto (suave);
• Sussurrando;
• Como se fosse dentro de uma caixa;
• Com a voz grave;
• Com a voz bem aguda.
Obs.: não há uma única maneira correta de se ler o texo. Ao explorar cada item citado, o professor estará usando os conteúdos do som: altura, intensidade, timbre, duração.
• Estabelecer (por cada grupo) uma forma de expressar oralmente a parlenda.
• Fazer uma marcação (usando palmas, tambor, chocalhos, etc) que passará a ser o pulso sobre a qual a leitura será feita.
Obs.: Pulso é uma unidade de medida constante que poderá ser: lento, moderado ou rápido.
• Manter (todos juntos) em “ostinato” a leitura dos versos da parlenda dentro da pulsação rítmica estabelecida anteriormente. Sobre este “ostinato”, o professor canta a melodia da parlenda. O “ostinato” continua e gradativamente os alunos juntar-se-ão ao canto do professor.
Obs.: “Ostinato” é uma palavra italiana que quer dizer repetição contínua, obstinada. Na presente atividade, significa repetir quantas vezes for necessário.
Passa-se gradativamente da menor densidade da melodia para maior densidade, em relação ao “ostinato”. Isto não significa maior intensidade (força do canto).
• Improvisar livremente sobre o canto da parlenda (com a voz, com o corpo, com objetos que produzam sons)
Obs.: A improvisação poderá ser rítmica e/ou sonora por um ou mais alunos, usando fragmentos da letra fonemas, sílabas que poderão ser reordenadas, como no exemplo:
Auê, Auê
Sassá, Sarubê
Tumba, Tumba.
• Falar alternativamente frases do verso(cada grupo respectivamente ) dentro de um pulso regular, como pergunta e resposta.
• Fazer a leitura da parlenda de forma ritmada criando simultaneamente movimentos com o corpo
• Realizar as diversas partes da atividade, conforme a sugestão de um aluno, que poderá ser o regente.
Obs.: Surgirão ordenações diversas, resultantes da linearidade (sequência das partes) e da simultaneidade (cruzamento das partes).
Integração com o Português: produção de texto, de palavras fonemas, jogando a rítmica e a sonoridade.
O professor deve usar a parlenda adequada a cada grupo, em função de seu interesse e da faixa etária.















DANÇA
Frevo: Dança e música do carnaval em Recife, de rítmo agitado e impetuoso, cujos numerosos participantes(passistas), vestidos com fantasias típicas e agitando no ar pequenos guarda-chuvas coloridos, executam coreografia individual, singularizada por ágil movimento de pernas que se dobram e estiram freneticamente. A sombrinha usada pelos pernambucanos durante o frevo, era usada pelos escravos, que utilizavam bengalas de madeira, para atacar, se defender. As pernadas, o giro, a tesoura, etc. existe na capoeira, só que no frevo é utilizado em rítmo acelerado.
Capoeira: Tudo leva a crer que a capoeira, um misto de dança e luta, tenha sido criada e desenvolvida no Brasil pelos escravos e seus descendentes, como meio de defesa, com base em tradições africanas, pois as referências populares e de estudiosos sempre mencionam as capoeiras de Angola e Regional.
O expoente máximo da primeira foi Mestre Pastinha; e da segunda Mestre Bimba que, além de nela introduzir variações sutis, criou os golpes “ligados” e “cinturados”, que não existem na capoeira de Angola, forma original da luta/dança. Segundo Mestre Pastinha, “capoeira é ginga, é malícia”. Ambos têm milhares de seguidores, em todo o mundo.
Em seu desenvolvimento, a capoeira tomou uma forma de revide, em resposta às ameaças e agressões físicas sofridas pelos escravos. Como arma de combate, ela utiliza os braços, as pernas, as mãos, os pés, a cabeça, os cotovelos, os joelhos e os ombros. Dos grupos de capoeira participam lutadores, com golpes de ataque e defesa, e instrumentistas.
Os instrumentos utilizados na capoeira são: berimbau de barriga, caxixi, atabaque, pandeiro e reco-reco. O berimbau é o mais importante deles, pela sua originalidade e por dirigir o ritmo da luta. Existem vários toques, cada um com sua finalidade.

RELIGIÃO
Candomblé: Nem precisa ser adepto do Candomblé para vestir roupas brancas na sexta-feira. Esta já é uma tradição na Bahia, em homenagem ao deus Oxalá que, no sincretismo, representa Jesus Cristo. E muitos outros costumes, trazidos com essa religião afro, já se incorporaram ao dia-a-dia dos baianos, de todas as raças e classes sociais.
No início da colonização, os rituais do candomblé eram praticados nas próprias senzalas e nos terreiros das fazendas, onde trabalhavam os escravos africanos e seus descendentes. O mais antigo terreiro de Candomblé da Bahia nasceu há 450 anos, é conhecido como Engenho Velho ou Casa Branca e fica na avenida Vasco da Gama, em Salvador. Deste, originaram-se duas casas, ainda hoje de grande importância: o Gantois, na Federação, e o Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, que deram origem a muitas outras, em cada canto de Salvador, das principais cidades do interior e de outros estados brasileiros.
Culto antigo, o candomblé tem como objetivo a adoração aos orixás, considerados como espíritos da Natureza, provenientes dos elementos terra, fogo, água e ar. São deuses guerreiros, protetores da caça, da maternidade, reis e rainhas da África, e outros, que vivem nos corações de seus descendentes. Eles são venerados em iniciações secretas e em festas de um ciclo anual, dedicadas a cada um deles. Nas festas, abertas ao público - homem de um lado, mulher de outro - os filhos-de-santo e adeptos dançam vestidos com as roupas e cores características, ao som de atabaques, entrando em transe e incorporando os espíritos dos orixás.
Ser baiana de acarajé significa muito mais do que ser uma vendedora ambulante, com seu tabuleiro, oferecendo os deliciosos quitutes da culinária afro-baiana. A maioria delas faz esse trabalho como “obrigação de santo”, reverenciando os orixás que guiam suas cabeças – inicialmente apenas Iansã – e, em troca, tiram daí o seu sustento e o de suas famílias.
A cada dia, ela está vestida com as cores do santo daquele dia e exibe no pescoço as guias de contas na cor do santo de sua cabeça e outros orixás dos quais gosta (ou os quais precisa) reverenciar. A roupa, de origem africana, já se transformou em marca registrada: a roupa de baiana, com saia rodada, blusa rendada, pano da costa, turbante, sandália fechada na frente e aberta atrás.
Um outro atestado de que existe reverência religiosa aos orixás do candomblé, na atividade de baiana de acarajé, são os pequenos acarajés fritos antes da primeira fritura comercial, dedicados aos orixás meninos, os ibêje.

FESTAS
Festa de Iemanjá: Dia 2 de fevereiro é dia de festa na terra e no mar para reverenciar Iemanjá. A deusa dos oceanos é homenageada todos os anos pelos baianos e turistas que lotam as ruas e praias do Rio Vermelho, o bairro boêmio de Salvador, para participar da grande festa, que é a entrega do presente à rainha das águas.
Desde as primeiras horas da manhã, os fiéis começam os preparativos para a grande festa. Formam-se filas quilométricas de devotos para colocar as oferendas e pedidos nos balaios, que são guardados na Casa do Peso – uma espécie de templo à divindade – até a hora de serem levados para alto mar.
Os presentes são, na maior parte, pentes, espelhos, sabonetes, talcos, perfumes e muitas flores, tudo que possa interessar a uma mulher vaidosa. Contam os pescadores mais antigos que houve época em que colocaram até jóias como forma de agradecer as graças alcançadas. O ponto alto da festa acontece no final da tarde, quando o cortejo marítimo de cerca de 500 embarcações leva para alto mar os balaios que vão ser “arriados”. Nesse momento, a multidão se espalha ao longo da praia e sobre os rochedos, ao mesmo tempo em que entoa cânticos em yorubá, ao som dos atabaques, chamando Iemanjá para receber aquelas oferendas.
De vários pontos da praia do Rio Vermelho dá para apreciar a cerimônia, que é de rara beleza. No saveiro que puxa o cortejo vai o presente principal dos pescadores, que pedem melhores pescarias e águas tranqüilas. Mais atrás, as outras embarcações levam outros balaios e dão um colorido especial ao mar, seguindo fielmente o saveiro principal em procissão. Quando as embarcações chegam no local determinado para “arriar” os balaios, acontece um momento de apreensão: conta a lenda que, se a Mãe d’Água não aceitar as oferendas, os balaios flutuam sem afundar no mar, o que, para os pescadores, é mau sinal. No entanto, o ritual serve também como um afago para a Senhora dos Mares, que sempre recebeu os presentes dos devotos.
Como a maioria das festas de largo de Salvador, acontece em paralelo aos festejos religiosos, uma grande festa de largo que se estende, com muita animação, até a madrugada do dia seguinte. No largo de Santana, próximo à Igreja, e nas ruas laterais são armadas barracas, freqüentadas por muita gente que, depois de depositar os presentes nos grandes balaios, reúne-se nas barracas para beber e cantar num animado samba-de-roda.
Iemanjá é sincretizada como Nossa Senhora da Conceição e, nos templos de candomblé, o sábado é considerado como seu dia de devoção e sua cor é o azul claro. Ela um orixá marítimo, considerado a entidade feminina mais importante do candomblé. No simbolismo afro-brasileiro, a divindade é representada como uma mulher de grande ventre e seios volumosos com uma gamela na cabeça. Na Bahia, esta imagem foi suplantada pela da sereia. Na cerimônia do candomblé, a dança de Iemanjá é solene, cheia de ondulações, semelhante ao movimento das águas do mar.

LITERATURA
Literatura de Cordel: É um gênero derivado do romanceiro europeu que se desenvolve desde o tempo de Carlos Magno. O nome "Cordel" vem dos varais improvisados com cordinhas para pendurar os folhetos com versos que relatam acontecimentos dramáticos do cotidiano da história política, ou reproduzem lendas e histórias. Os folhetos são impressos em papel barato e ilustrados com xilogravuras e encontrados principalmente no Nordeste e nas cidades para onde houve grande migração de nordestinos. Os próprios artistas costumam vendê-los nas feiras e ruas.
No início do século, estudiosos do folclore brasileiro temiam que o cordel - principal fonte de informação das populações mais pobres do interior - desaparecesse com o aumento das tiragens dos jornais, o que acabou não acontecendo. Mas há adaptações, principalmente em São Paulo, onde vive a maior comunidade de nordestinos do Brasil. Surge o cordel industrializado, impresso em gráfica, em papel de melhor qualidade e com conteúdo mais literário.
Temas principais - As grandes enchentes, as vidas dos artistas mais populares, as façanhas de Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900 - 1938) e seus cangaceiros, a epopéia do rei Carlos Magno e os Doze Pares de França são alguns dos temas dos cordéis de maior tiragem. Um dos campeões de vendas é A morte de Getúlio Vargas, lançado logo após o suicídio de Getúlio, em agosto de 1954, vendeu 70 mil exemplares em 48 horas. Um dos poetas de cordel mais conhecidos é o pernambucano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), autor de mais de mil títulos.
A literatura de cordel é classificada em três grupos: folhetos (08 páginas), romances (16 páginas), estórias (32 a 48 páginas).

TRADIÇÕES
Reisado: Auto popular profano-religioso, formado por grupos de músicos, cantores e dançadores, que vão de porta em porta, no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro, anunciar a chegada do Messias, homenagear os três Reis Magos e fazer louvações aos donos das casas onde dançam.
Sua principal característica é a farsa do boi que constitui um dos entremeios ou entremeses, onde ele dança, brinca, é morto e ressucitado.
Portanto, no sentido estrito, são reisados em Alagoas, além do próprio Reisado, o Bumba-meu-Boi e o Guerreiro. A marca alagoana do reisado é que no Estado ele sincretizou (misturou) com o Auto dos Congos, por si próprio já um Reisado.
A origem desse folguedo é portuguesa. Em Portugal, na Idade Média, era costume os grupos de janeiro e reiseiros sairem pelas ruas pedindo que lhe abrissem as portas e recebessem a nova do nascimento de Cristo. Os donos das casas recebiam os grupos e a eles ofereciam alimento e dinheiro.
Lavagem do Bonfim: Todo mês de janeiro, milhares de romeiros juntam-se em Salvador para lavar as escadarias da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Esse ritual iniciou-se no século XVIII, ainda muito timidamente. Com o passar do tempo, o número de participantes foi aumentando e, hoje, é uma das mais tradicionais cerimônias religiosas do país. Depois da lavagem, os romeiros vão para as ruas da cidade, onde fazem uma grande festa, com direito a capoeira, samba e muita comida típica.

COMIDA TÍPICA
A formação cultural do Nordeste, região com área de 1.561.177,8km2, gerou a mais diversificada culinária do Pais. Marcada, no entanto, por singulares diferenças. São inúmeras as alternativas, a começar pelos pratos vindos da Africa. Comece pelos abarás e acarajés, na Bahia. Ante-pastos aos vatapás e às moquecas de peixe, de ostras, de camarões, iguanas douradas pelo azeite de dendê. Há, também, pratos à base de peixes dos mais vários tipos, servidos em formas várias:
sopas, escaldados, cozidos. E casquinhas de caranguejo, frigideiras de siri mole e cavaquinhas. Não é só no mar que nascem as delicias. Oferece a cozinha nordestina pratos exóticos, elaborados com carnes de porco, de cabrito, de carneiro. E aves. Prazeres que vão desde as tripas à sergipana até a carne de sol à Natal, passando pelo xinxim de galinha e pela galinha d’Angola de Teresina.
No Nordeste, é fundamental também provar a feijoada à alagoana, o cozido à baiana, o mocotó e o bobó de inhame, criações capazes de acalentar os mais exigentes paladares. À sobremesa, delicie-se com cocadas, sorvetes e refrescos feitos com frutas típicas, como taperebá, manga, araçá, cajú e pitanga, graviola e mangaba. Há mais, porém. No Maranhão, estado que faz parte também da Região Norte, entregue-se, de corpo e alma, aos camarões, servidos como melhor lhe convier. Mas não se esqueça de degustá-los fritos, ao alho e óleo. E uma pedida fundamental. Que prepara o espírito para incursões pelo pudim de peixe maranhense, acompanhado de arroz de cuxá.











A Importância da Cultura Folclórica
na Formação das Crianças
Folclore é a maneira de agir, pensar e sentir de um povo ou grupo com as qualidades ou atributos que lhe são inerentes, seja qual for o lugar onde se situa, o tempo e a cultura. Não é apenas o passado, a tradição; ele é vivo e está ligado à nossa vida de um jeito muito forte. Por isso, é tão importante conhecê-lo.
O saber folclórico é o que aprendemos informalmente no mundo, por meio do convívio social – por via oral ou por imitação. Ele é universal, embora aconteçam adaptações locais ou regionais, como conseqüência dos acréscimos da coletividade. "Folclore é o conjunto de coisas que o povo sabe, sem saber quem ensinou." (Marcelo Xavier). O folclore e a cultura popular sempre estiveram presentes nos programas e conteúdos escolares. De um jeito formal ou de forma transversal, sempre há um espaço na educação para se tratar desse assunto.
Devido à complexidade que a vida humana, em sociedade, vem assumindo, a escola substitui a família como agente de troca da mais notável mercadoria do mundo – a cultura. Cultura, como nós a entendemos, diz respeito ao modo de ser e de viver dos grupos sociais: a língua, as regras de convívio, o gosto, o que se come, o que se bebe, o que se veste vão formando aquilo que é próprio de um povo.
Em um país como o Brasil, tão diverso, tão grande, com tantas expressões diferentes, com tantos jeitos de ser, de brincar, de conviver e rezar, que vão se modificando de lugar para lugar, e a toda hora, não podemos falar de uma única cultura, mas das muitas culturas que o formam. Será que já paramos para pensar, por exemplo, quantas nações indígenas nós temos? E das culturas africanas que para cá vieram não foi uma nação, mas foram muitas a formar o que chamamos de cultura afro-brasileira.
E os portugueses, foram os únicos? Na verdade, foram muitos os povos europeus, cada um com suas tradições, línguas, expressões, jeito de ser e crer, que vieram para cá e, misturados aos diferentes povos indígenas e africanos, ajudaram a formar um país plural e de muitas culturas.
A cultura popular é tudo isso bem misturado e refletido nos muitos jeitos de ser do brasileiro.
Diante de tudo que apontamos, será ainda possível falar de educação sem integrá-la à questão cultural? Certamente não. E é não porque a educação é resultado das práticas culturais dos grupos sociais. O próprio processo de ensinar e aprender revela essas práticas.
A cultura é o fermento que alimenta, dá forma e conteúdo à educação. Em sala de aula, experiências, vivências e singularidades estão reunidas. Alunos e professores trazem suas bagagens e histórias. Confrontos, trocas, negações e reafirmações de culturas pulsam o tempo todo nesse convívio. Se não houver um saber pronto e acabado a ensinar, a educação tem suas chances de sucesso ampliadas. Se o saber em construção for inclusivo das diferenças, renovam-se as esperanças de que na escola se entenda, como afirma Carlos Rodrigues Brandão (2001, p.35) que "educar é fazer perguntas" e que "ensinar é criar pessoas em que a inteligência venha a ser medida, mais pelas dúvidas mal formuladas, do que pelas certezas bem repetidas. De que aprender é construir um saber pessoal e solidário, através do diálogo entre iguais sociais culturalmente diferenciados."
O aluno leva para a escola os modelos já aprovados pela tradição, que aprendeu em casa ou na rua e, da escola, traz para a família e vizinhança as experiências mais significativas do desenvolvimento cultural.
A missão da escola é de salvamento. Não podemos aceitar que nossa língua, música, dança sejam ameaçadas pela ingerência alienígena que destrói a nossa cultura. Um dos objetivos de se trabalhar o folclore na escola é, pois, evitar que nossos padrões tradicionais sejam substituídos por modelos exóticos.
O desenvolvimento de atividades pedagógicas em torno do folclore é uma importante contribuição na formação do espírito de cidadania e de nacionalidade do aluno. Ao mesmo tempo em que passa a se perceber como ser universal, cidadão do mundo, necessita conhecer suas raízes, identificando-se com seu grupo social: sua linguagem, sua história e a de sua comunidade.
O professor deve saber aproveitar o atraente, rico e variado mundo do folclore, como fonte inesgotável de motivação didática e de elevada importância pedagógica. Ele precisa selecionar o que vai utilizar, pois nem toda manifestação folclórica serve como material didático. Os modelos escolhidos pelo professor precisam ser adequados à idade e ao tempo disponível para estudo e ensaio. Devem ser avaliados do ponto de vista da sua utilidade para a comunidade, identificando-se, primeiramente, os aspectos da cultura popular no lugar onde vivem os alunos, para, depois, extrapolar limites geográficos.
O exemplo da educadora Helena Antipoff, que adotou o folclore como disciplina obrigatória no currículo de todos os seus cursos, deve ser seguido pelos atuais professores, começando, talvez, pelo aproveitamento do evento associado às festas religiosas (São Sebastião, Quaresma, Divino, Rosário, Natal) o que representaria um projeto anual.
A pesquisa pode ser estimulada por meio da coleta de dados pelos próprios alunos e realizada em trabalho de campo, a partir do lar, da família, estendendo-se à vizinhança e à comunidade. Desta maneira, o trabalho pode ser regionalizado, enfatizando-se as manifestações ligadas às atividades locais.
O estudo de provérbios ou ditados oferece oportunidade de debates sobre conceitos, tais como: justiça, honradez, bondade, ingratidão e outras abstrações. "O provérbio é sempre uma síntese de sabedoria popular. A sabedoria coletiva é reveladora de convicções, de certezas,


A Importância da Cultura Folclórica
na Formação das Crianças
Folclore é a maneira de agir, pensar e sentir de um povo ou grupo com as qualidades ou atributos que lhe são inerentes, seja qual for o lugar onde se situa, o tempo e a cultura. Não é apenas o passado, a tradição; ele é vivo e está ligado à nossa vida de um jeito muito forte. Por isso, é tão importante conhecê-lo.
O saber folclórico é o que aprendemos informalmente no mundo, por meio do convívio social – por via oral ou por imitação. Ele é universal, embora aconteçam adaptações locais ou regionais, como conseqüência dos acréscimos da coletividade. "Folclore é o conjunto de coisas que o povo sabe, sem saber quem ensinou." (Marcelo Xavier). O folclore e a cultura popular sempre estiveram presentes nos programas e conteúdos escolares. De um jeito formal ou de forma transversal, sempre há um espaço na educação para se tratar desse assunto.
Devido à complexidade que a vida humana, em sociedade, vem assumindo, a escola substitui a família como agente de troca da mais notável mercadoria do mundo – a cultura. Cultura, como nós a entendemos, diz respeito ao modo de ser e de viver dos grupos sociais: a língua, as regras de convívio, o gosto, o que se come, o que se bebe, o que se veste vão formando aquilo que é próprio de um povo.
Em um país como o Brasil, tão diverso, tão grande, com tantas expressões diferentes, com tantos jeitos de ser, de brincar, de conviver e rezar, que vão se modificando de lugar para lugar, e a toda hora, não podemos falar de uma única cultura, mas das muitas culturas que o formam. Será que já paramos para pensar, por exemplo, quantas nações indígenas nós temos? E das culturas africanas que para cá vieram não foi uma nação, mas foram muitas a formar o que chamamos de cultura afro-brasileira.
E os portugueses, foram os únicos? Na verdade, foram muitos os povos europeus, cada um com suas tradições, línguas, expressões, jeito de ser e crer, que vieram para cá e, misturados aos diferentes povos indígenas e africanos, ajudaram a formar um país plural e de muitas culturas.
A cultura popular é tudo isso bem misturado e refletido nos muitos jeitos de ser do brasileiro.
Diante de tudo que apontamos, será ainda possível falar de educação sem integrá-la à questão cultural? Certamente não. E é não porque a educação é resultado das práticas culturais dos grupos sociais. O próprio processo de ensinar e aprender revela essas práticas.
A cultura é o fermento que alimenta, dá forma e conteúdo à educação. Em sala de aula, experiências, vivências e singularidades estão reunidas. Alunos e professores trazem suas bagagens e histórias. Confrontos, trocas, negações e reafirmações de culturas pulsam o tempo todo nesse convívio. Se não houver um saber pronto e acabado a ensinar, a educação tem suas chances de sucesso ampliadas. Se o saber em construção for inclusivo das diferenças, renovam-se as esperanças de que na escola se entenda, como afirma Carlos Rodrigues Brandão (2001, p.35) que "educar é fazer perguntas" e que "ensinar é criar pessoas em que a inteligência venha a ser medida, mais pelas dúvidas mal formuladas, do que pelas certezas bem repetidas. De que aprender é construir um saber pessoal e solidário, através do diálogo entre iguais sociais culturalmente diferenciados."
O aluno leva para a escola os modelos já aprovados pela tradição, que aprendeu em casa ou na rua e, da escola, traz para a família e vizinhança as experiências mais significativas do desenvolvimento cultural.
A missão da escola é de salvamento. Não podemos aceitar que nossa língua, música, dança sejam ameaçadas pela ingerência alienígena que destrói a nossa cultura. Um dos objetivos de se trabalhar o folclore na escola é, pois, evitar que nossos padrões tradicionais sejam substituídos por modelos exóticos.
O desenvolvimento de atividades pedagógicas em torno do folclore é uma importante contribuição na formação do espírito de cidadania e de nacionalidade do aluno. Ao mesmo tempo em que passa a se perceber como ser universal, cidadão do mundo, necessita conhecer suas raízes, identificando-se com seu grupo social: sua linguagem, sua história e a de sua comunidade.
O professor deve saber aproveitar o atraente, rico e variado mundo do folclore, como fonte inesgotável de motivação didática e de elevada importância pedagógica. Ele precisa selecionar o que vai utilizar, pois nem toda manifestação folclórica serve como material didático. Os modelos escolhidos pelo professor precisam ser adequados à idade e ao tempo disponível para estudo e ensaio. Devem ser avaliados do ponto de vista da sua utilidade para a comunidade, identificando-se, primeiramente, os aspectos da cultura popular no lugar onde vivem os alunos, para, depois, extrapolar limites geográficos.
O exemplo da educadora Helena Antipoff, que adotou o folclore como disciplina obrigatória no currículo de todos os seus cursos, deve ser seguido pelos atuais professores, começando, talvez, pelo aproveitamento do evento associado às festas religiosas (São Sebastião, Quaresma, Divino, Rosário, Natal) o que representaria um projeto anual.
A pesquisa pode ser estimulada por meio da coleta de dados pelos próprios alunos e realizada em trabalho de campo, a partir do lar, da família, estendendo-se à vizinhança e à comunidade. Desta maneira, o trabalho pode ser regionalizado, enfatizando-se as manifestações ligadas às atividades locais.
O estudo de provérbios ou ditados oferece oportunidade de debates sobre conceitos, tais como: justiça, honradez, bondade, ingratidão e outras abstrações. "O provérbio é sempre uma síntese de sabedoria popular. A sabedoria coletiva é reveladora de convicções, de certezas, merece fé." (Saul Martins)
Propondo ou decifrando-se adivinhas, leva-se a criança a desenvolver o raciocínio lógico, além de alegrar-lhe o espírito. Com as parlendas e outras formas lúdicas verbais, ela entra em contato com o idioma. Os trava-línguas são exercícios de comprovada eficácia para a correção de defeitos no falar. Jogos e brincadeiras podem ensejar ao aluno uma participação mais ativa no meio social, desenvolvendo mecanismos sadios de competição, além de torná-lo conhecedor e respeitador de regras.
Pequenas dificuldades podem ser adequadamente solucionadas com o emprego de técnicas populares, prática preconizada pela própria Organização Mundial da Saúde, que recomenda a volta dos remédios naturais. Com isso, a medicina caseira ganha nova dimensão na sociedade.
O artesanato ajuda a criança em idade escolar a usar as mãos de maneira adequada, apressa a eclosão de valores artísticos, além de servir como meio de se praticar o lazer. A criança adora realizar trabalhos manuais.
Com referência à linguagem, os sotaques e pronúncias regionais são peculiaridades que resultam do esforço adaptativo das pessoas ou do estilo de vida, isto é, do relacionamento entre o homem e o meio.
Outra experiência folclórica, a culinária, resulta do encontro de diferentes culturas, diversidade do clima e abundância de recursos naturais. Por meio dela, o professor pode trabalhar os sentidos, a matemática, a estética e a saúde alimentar dentre uma infinidade de outros aspectos.
O mundo do folclore é um mundo encantadLendas e Mitos
Segundo Van Gennep, lenda, do latim legenda (o que deve ser lido), é narração localizada, individualizada e objeto de crença (considerando que o traço religioso é uma constante). A lenda tem localização no tempo e no espaço, conta um fato geralmente com conotação religiosa, pode possuir uma origem histórica, ou seja: um fato histórico analisado pela ótica popular, após contado e recontado, pode transformar-se em lenda. Exemplo: A lenda de São Sepé baseada na vida de Sepé Tiaraju, herói missioneiro.
Para Lima, "a lenda tem característica de diversas religiões, revela seu traço religioso e supostamente histórico", é ficção embasada em fatos ocorridos em lugares conhecidos e com participação de personagens reais.
Segundo Moacyr Flores, "lenda é a narração de fatos enriquecidos com mitos, transformando a história em acontecimentos maravilhosos e os homens, em santos. A lenda se diferencia do mito por sua precisão geográfica e temporal, apresentando heróis que realmente existiram, mas que a imaginação popular recriou de geração em geração em resposta a seus anseios” ...
Mircea Eliade considera que "o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo do princípio". Diferente-mente da lenda, o mito é atemporal, não tem fixação no tempo nem no espaço. Os personagens dos mitos são sempre entes sobrenaturais e descrevem as diversas e, muitas vezes, dramáticas intervenções do sagrado ou do sobre-natural no mundo. De modo mais simplificado, pode-se dizer que o personagem mítico faz alguma coisa, tem uma ação.
A principal função do mito consiste em revelar os modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas.
Para Moacyr Flores, "quando o mundo mental do homem primitivo não consegue explicar certos acontecimentos da natureza, recorre ao mito como resposta a uma visão ingênua e não histórica do mundo". E, acrescenta ele, "o mito é um universo de sombras, imprecisões e acontecimentos sobrenaturais que se desenvolve no inconsciente coletivo popular, despojando o personagem do fato histórico de sua dimensão humana, transformando-o em herói ou super-homem lendário.
A dinâmica da herança social, através de sua interação, modifica e acrescenta elementos ao mito, de tal maneira que surge a lenda transformada e transcendendo à própria história".
Nas sociedades arcaicas, o homem perguntava-se: Como? Onde? Por quê? E sempre que não possuía uma explicação lógica para algum fato, apelava para o sobrenatural e, nestas circunstâncias, tudo era aceito; o mito podia explicar qualquer coisa, desde a origem do mundo, do fogo, da água, até qualquer modificação nos fenômenos da natureza. Os mitos eram transmitidos através das gerações em rituais ou cerimônias nas quais os mais velhos iniciavam os mais novos no conhecimento dos segredos da criação.
Por outro lado, mito para Junito Brandão é "a linguagem imagística dos princípios", representação coletiva, transmitida através de várias gerações e que relata uma explicação do mundo.
O Brasil é rico em lendas e mitos que poderão se transformar em recursos pedagógicos valiosos no processo de ensino e de aprendizagem.
Lendas
No Rio Grande do Sul, as lendas podem ser agrupadas em:
a) geográficas – que se referem à criação de determinados lugares. como: Osório (Conceição do Arroio), Soledade, Tupanciretã, Cruz Alta, Cacimbinhas (Pinhei-ro Machado), Passo da Areia ou Obirici, Lagoa Parobé (Cavalo Encantado), Lagoa do Caverá (Cervo Encantado) ;
b)Missioneiras – que contam fatos da região das Missões: São Sepé (Lunar de Sepé), M'Bororé, M'Boiguaçu (Cobra Grande), Rio das Lágrimas;
c) de escravos – cuja origem remonta ao período de escrava-tura no Brasil, relacionadas aos negros: Santa Josefa, Torres Malditas (Igreja das Dores), Negrinho Antão (Sanga Funda), Cambaí (Iiio do Negrinho, São Gabriel) ;
d) campeiras – que têm a ver com as lides nas fazendas do Rio Grande do Sul, como é o caso do Negrinho do Pastoreio;
e) etiológicas – que explicam a origem e/ou o nome de algum lugar ou o porquê de alguma coisa, como as da criação do mundo, do homem, da mulher e do negro, as relacionadas à fuga da Sagrada Família, a da Festa do Céu, a do umbu, a do tico-tico, a do linguado e a da savelha, por exemplo.
Algumas lendas gaúchas
Tupanciretã – Diz a lenda que os padres jesuítas acompanhados por índios, ao entrarem mato a dentro procurando ervais, já ao cair da noite, foram surpreendidos por violento temporal. Desabrigados e cansados, parecia estarem entregues à fúria dos elementos, quando lhes apareceu, em meio à chuva, cercada por uma auréola de luz, a imagem de Nossa Senhora que, sorrindo, lhes apontava um lugar com a mão estendida. Os índios caíram de joelhos gritando Tupã-ci-re-tã (que quer dizer Terra da Mãe de Deus). Seguindo a indicação da mão de Nossa Senhora, encontraram abrigo numa pequena gruta existente no mato. No local, os padres fincaram a cruz de Cristo e ergueram uma capela, que poderia servir de abrigo a todos os que se perdessem no mato. Próximo à capela construíram um rancho. Esse arranchamento foi o início da cidade de Tupanciretã, em cuja praça principal está a imagem da Mãe de Deus, colocada no alto de um pedestal.
V Passo da Areia – Obirici – Em Porto Alegre, esta lenda possui estátua em logradouro público. Conta-se que Obirici era uma índia que se apaixonou pelo cacique. Tinha uma rival que também queria casar-se com o mesmo valente índio, que exigia que sua esposa soubesse manejar o arco e a flecha com grande destreza. As duas jovens apaixonadas decidiram disputar o amor do cacique num embate de arco e flecha. A que melhor atirasse casaria com o jovem. Jogaram e empataram; novamente jogaram e a mão de Obirici tremeu e a outra saiu-se melhor. Desesperada, a índia retirou-se para um lugar alto e sentou-se ao chão, chorando até morrer. Suas lágrimas abriram um canal: o riacho Passo da Areia.
Uma lenda brasileira
Vitória-Régia – Os velhos pajés das tribos da Amazônia contavam que, nos tempos do início do mundo, a Lua fazia seu passeio no céu e, quando terminava, desaparecendo atrás dos morros, escolhia uma jovem índia para trans-formar em estrela.
Naiá era uma moça indígena, filha de bravo cacique, mas muito diferente de suas irmãs de tribo. Era branca, de pele alva como o leite, os longos cabelos da cor das espigas de milho. Todos admiravam a beleza e a bondade da jovem. Ela desejava muito ser escolhida por Jaci (a Lua) para trans-formar-se em estrela cintilante.
A Lua não atendeu aos pedidos da jovem e ela, muito triste, todas as noites ia chorar perto do rio. E de tristeza foi definhando. Os curandeiros da tribo nada puderam fazer. A tristeza da jovem era maior do que seus conhecimentos.
Naiá passava as noites caminhando sob a luz do luar. Certa noite, já cansada de andar, sentou-se perto do rio e viu a imagem de Jaci refletida nas águas claras e serenas. Sem hesitar, a jovem jogou-se n'água para encontrar-se com a Lua que tanto amava, desaparecendo para sempre.
Durante muito tempo, os índios a procuraram inutilmente, mas ela não apareceu.
Jaci comovida atendeu ao pedido que as plantas da beira do rio e os peixes lhe fizeram e transformou a alma de Naiá numa linda flor que abre suas longas pétalas à luz da Lua. Assim surgiu a Vitória Régia, a bela flor do Amazonas.
Os caboclos a chamam de mururu, que significa: abre mais ou menos à meia-noite.
Mitos
Os mais conhecidos no mundo inteiro são os que se referem à criação do mundo, aos astros e estrelas, à criação do homem, da mulher, do fogo, da água, do fogo fátuo, enfim, aos fatos da natureza.
O Dilúvio, que pode ter originado o mito da água, aparece em todas as culturas, inclusive nas cristãs. O mito do fogo, que talvez tenha dado origem ao M'Boitatá, aparece também como lenda. Um dos mitos que contam a origem do fogo é o da Cobra Grande, a M'Boiguaçu, que comia outros animais. Depois do Dilúvio, ela passou a comer apenas os olhos dos animais mortos, ficando então luminosa. Ávida e insaciável, comeu tanto que estourou, espalhando a luz dos olhos dos animais que havia comido.
São muito conhecidos os mitos da criação do homem, da mulher e de outros animais. Quando Deus fez o mundo, o diabo, que na época era um anjo chamado Lúcifer, quis imitá-lo e tudo que Deus criava ele criava também, só que fazia errado ou mal feito. Deus criou o peixe, o diabo fez a cobra. Deus fez a águia, o diabo fez o corvo, Deus fez a pomba, o diabo fez o mor-cego.
Somente na região colonial italiana existe um mito que lembra os gnomos europeus: o sanguanel, o homenzinho vermelho que rouba crianças, trata-as bem e as devolve geralmente em lugares inacessíveis (em cima de uma árvore ou no meio de espinheiros).
Um mito gaúcho
Bruxa – É mito universal com variantes regionais. A crença mais comum é a de que a mulher nasce ou torna-se bruxa para cumprir uma sina. Acredita-se que, se um casal tiver tido sete filhas consecutivamente, a sétima será bruxa. Evita-se este fado fazendo a irmã mais velha batizar a mais nova. Torna-se bruxa (na concepção popular), a mulher que mantém relações sexuais com o compadre.
No Rio Grande do Sul, a bruxa não precisa, necessariamente, ser velha ou feia, (como é a bruxa européia, com uma verruga no nariz adunco); ela pode ser moça e até bonita. Olho-grande ou olho gordo é a arma que usa conscientemente para fazer o mal. Esse poder não só a bruxa possui; muita gente boa tem e não sabe.
As maiores vítimas da bruxa são as crianças, os animais e as plantas. Ela tem o mau costume de embruxar crianças. Suga a vida da criança pelo umbigo e, quando a criança sofre deste mal folclórico, o remédio é também folclórico: colocar figas nos pés e na cabeceira da cama do nenê e rezar três Ave-Marias, às 6 horas da manhã e às 6 horas da tarde, por três sextas-feiras seguidas. A maior arma contra a bruxa é a figa. Em quarto onde dorme criança pagã, deve-se conservar uma vela acesa para afugentar o perigo de ser embruxada (a bruxa não se aproxima de vela).
Para descobrir o nome da bruxa que embruxou a criança, a mãe (ou, na falta desta, a madrinha ou a avó) deve dizer três vezes no ouvido da criança o nome da pessoa de quem se suspeita. Se for a própria, a criança tem um estremecimento. Para desembruxar, espetam-se alfinetes numa camisinha da criança e saca-se no pilão. A bruxa sentirá as dores e ficará moída por muitos dias.
Existem casos também de casas embruxadas, nas quais ninguém consegue morar, tal a sequência de desastres que acontece. Se isso ocorrer, a casa deve ser desembruxada da seguinte maneira: limpa-se a peça maior da casa, de preferência a sala (tiram-se todos os móveis) e a dona da casa fica no meio da peça vazia e diz três vezes o nome da mulher que ela acha que é a bruxa. Deve ser a dona da casa, pois para o mal feito por mulher, mulher é quem tem que desfazer. Se acertar no nome, a bruxa em seguida aparece como por acaso.
Outra defesa contra a bruxa, muito usada na região de campanha, é a guampa com arruda dentro, fora da porta, ou atrás da mesma. A bruxa tem pavor de arruda e espirra quando está perto dessa planta. Esse é também um meio de identificar a bruxa. Uma réstea de alho tem o mesmo poder.
A bruxa gaúcha, diferentemente da européia, não usa vassoura, embora possa voar. Quando ela quer voar, transforma-se num borboletão preto e peludo. À noite, a bruxa anda a cavalo na campanha e trança as crinas dos mesmos. Ela monta o sinuelo (que comanda a tropa) e galopa toda a noite. A tropa acompanha. Quando amanhece, estão cansados e suarentos.
Alguns mitos brasileiros
Lobisomem – É um mito universal generalizado em todo o Brasil. A crença básica é a mesma: um homem que se transforma em cumprimento de uma sina ou fado. Existem inúmeras variantes de cunho regional.
Não é um homem mau, é uma vitima que tem um fado a cumprir. Deve fazer uma ronda nas noites de sexta-feira de lua cheia. Antes de morrer deve passar o seu fado para algum guri.
Nasce lobisomem o sétimo filho homem, se não for batizado pelo irmão mais velho, ou com o nome de Bento. Ou torna-se lobisomem o homem que mantiver relações sexuais com a madrinha de seu filho, ou mãe de seu afilhado, ou seja, a comadre. Uma variante bastante difundida é a que diz ser lobisomem o filho homem nascido depois de sete filhas. De qualquer forma, essa predestinação está ligada ao número 7, que a astrologia dos povos antigos acreditava ser fatídico.
Só se mata lobisomem com arma branca (faca, punhal). Não tem correspondente feminina.
M'Boitatá – Este mito universal que explica a origem do fogo é vigente em todas as regiões do Brasil, onde aparece com diversas designações.
Refere-se ao fogo fátuo, emanação de fosfato de hidrogênio, que é produto da decomposição de substâncias animais. E isso explica por que aparece sobre os cemitérios e nos campos, onde podem ser encontrados restos de animais mortos. Como o povo cria explicações sobrenaturais ou fantásticas para os fenômenos da natureza para os quais não possui o conhecimento científico, desse fato natural surgiu o mito e, com o mito, muitas outras lendas.
Dizem os antigos que o Boitatá é uma bola de fogo que corre sobre os campos ou sobre os cemitérios. Quem a vê deve ficar bem quieto, cerrar os olhos e fazer uma oração que ela desa-parece. Se for cavaleiro, deve jogar a armada do laço sobre a mesma que ela se desmancha e some no ar.
Aproveitamento didático
Lendas e mitos permitem desenvolver inúmeras atividades, em diferentes componentes curri-culares, como, por exemplo, em:
Língua Portuguesa
• Narração de fatos, em seqüência temporal e/ou causal.
• Descrição de personagens, cenários e objetos contidos nas lendas e mitos estudados.
• Leitura para buscar novas informações e por prazer.
• Produção de textos individuais ou coletivos.
• Uso de diferentes formas de fala e de registro da língua oral.
• Criação de histórias em quadrinhos.
• Comparação de lendas e mitos com outros textos literários do repertório infantil: fábulas e contos maravilhosos.
• Expressão, de forma clara e ordenada, de sentimentos, idéias e opiniões.
Educação Artística
• Criação de figurinos, cenários, painéis.
• Confecção de máscaras, fantoches, bonecos.
• Ilustração de textos.
• Uso do corpo como forma de expressão e de comunicação.
• Dramatização.
• Uso de desenho, pintura, colagem, modelagem.
Ensino Religioso
• Estudo de fatos bíblicos, a partir das lendas que se referem a santos, nascimento e morte de Jesus Cristo, fuga da Sagrada Família.
História e Geografia
• Localização no tempo e no espaço dos fatos contados, através das lendas e mitos.
• Sinais de lendas e mitos na paisagem cultural atual.
B I B L I O G RA F IA
BRANDÃO, Junito. Mitologia Grega s.n.t.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Artes. Brasília, 1996. Versão preliminar.
. Parâmetros curriculares nacionais. Conhecimentos históricos e geográficas. Brasília, 1996.
Versão preliminar.
Parâmetros curriculares nacionais. Língua Portuguesa. Brasília, 1996. Versão preliminar.
Parâmetros curriculares nacionais. Pluralidade cultural. Brasília, 1996. Versão preliminar.
ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo :Perspectiva, 1994.
FLORES, Moacyr. Colonialismo e missões jesuíticas. Porto Alegre : Mercado Aberto, s.d.
RIBEIRO, Paula Simon. Folclore, aplicação pedagógica. Porto Alegre : Martins Livreiro, 1991.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Educação. Departamento Pedagógico. Padrão referencial de currículo. Porto Alegre, 1996. Documento básico.
PAULA SIMON RIBEIRO
Pós-Graduada em Folclore e em História das Artes.
Professora de Educação Artística.
Membro Efetivo da Comissão Gaucha de Folclore. Porto Alegre/RS

o, cheio de personagens estranhos que transportam a criança aos páramos da fantasia e aumentando-lhe o poder da imaginação. A pedagogia contemporânea afirma que a educação da criança não pode ser apenas passiva, mas ativa, pois a causa principal da aprendizagem e, portanto, de toda a educação, não é o professor ou o aluno, mas sim, a interação entre ambos.
O folclore une as pessoas, logo, é razão suficiente para ser trabalhado em todas as escolas, não só no mês de agosto, mas durante todo o ano.
BIBLIOGRAFIA:
MARTINS, Saul. Folclore: teoria e método. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1986.
Folclore em Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1990.
ROCHA, Tião. Roteiro de pesquisa do folclore. Belo Horizonte: CPCD – Centro Popular de Cultura
e Desenvolvimento e CMFL – Comissão Mineira de Folclore, 1996.
XAVIER, Marcelo. Mitos: o folclore do Mestre André. Belo Horizonte: Formato Editorial, 1997.
merece fé." (Saul Martins)
Propondo ou decifrando-se adivinhas, leva-se a criança a desenvolver o raciocínio lógico, além de alegrar-lhe o espírito. Com as parlendas e outras formas lúdicas verbais, ela entra em contato com o idioma. Os trava-línguas são exercícios de comprovada eficácia para a correção de defeitos no falar. Jogos e brincadeiras podem ensejar ao aluno uma participação mais ativa no meio social, desenvolvendo mecanismos sadios de competição, além de torná-lo conhecedor e respeitador de regras.
Pequenas dificuldades podem ser adequadamente solucionadas com o emprego de técnicas populares, prática preconizada pela própria Organização Mundial da Saúde, que recomenda a volta dos remédios naturais. Com isso, a medicina caseira ganha nova dimensão na sociedade.
O artesanato ajuda a criança em idade escolar a usar as mãos de maneira adequada, apressa a eclosão de valores artísticos, além de servir como meio de se praticar o lazer. A criança adora realizar trabalhos manuais.
Com referência à linguagem, os sotaques e pronúncias regionais são peculiaridades que resultam do esforço adaptativo das pessoas ou do estilo de vida, isto é, do relacionamento entre o homem e o meio.
Outra experiência folclórica, a culinária, resulta do encontro de diferentes culturas, diversidade do clima e abundância de recursos naturais. Por meio dela, o professor pode trabalhar os sentidos, a matemática, a estética e a saúde alimentar dentre uma infinidade de outros aspectos.
O mundo do folclore é um mundo encantado, cheio de personagens estranhos que transportam a criança aos páramos da fantasia e aumentando-lhe o poder da imaginação. A pedagogia contemporânea afirma que a educação da criança não pode ser apenas passiva, mas ativa, pois a causa principal da aprendizagem e, portanto, de toda a educação, não é o professor ou o aluno, mas sim, a interação entre ambos.
O folclore une as pessoas, logo, é razão suficiente para ser trabalhado em todas as escolas, não só no mês de agosto, mas durante todo o ano.
BIBLIOGRAFIA:
MARTINS, Saul. Folclore: teoria e método. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1986.
Folclore em Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1990.
ROCHA, Tião. Roteiro de pesquisa do folclore. Belo Horizonte: CPCD – Centro Popular de Cultura
e Desenvolvimento e CMFL – Comissão Mineira de Folclore, 1996.
XAVIER, Marcelo. Mitos: o folclore do Mestre André. Belo Horizonte: Formato Editorial, 1997.




Lendas e Mitos
Segundo Van Gennep, lenda, do latim legenda (o que deve ser lido), é narração localizada, individualizada e objeto de crença (considerando que o traço religioso é uma constante). A lenda tem localização no tempo e no espaço, conta um fato geralmente com conotação religiosa, pode possuir uma origem histórica, ou seja: um fato histórico analisado pela ótica popular, após contado e recontado, pode transformar-se em lenda. Exemplo: A lenda de São Sepé baseada na vida de Sepé Tiaraju, herói missioneiro.
Para Lima, "a lenda tem característica de diversas religiões, revela seu traço religioso e supostamente histórico", é ficção embasada em fatos ocorridos em lugares conhecidos e com participação de personagens reais.
Segundo Moacyr Flores, "lenda é a narração de fatos enriquecidos com mitos, transformando a história em acontecimentos maravilhosos e os homens, em santos. A lenda se diferencia do mito por sua precisão geográfica e temporal, apresentando heróis que realmente existiram, mas que a imaginação popular recriou de geração em geração em resposta a seus anseios” ...
Mircea Eliade considera que "o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial, o tempo do princípio". Diferente-mente da lenda, o mito é atemporal, não tem fixação no tempo nem no espaço. Os personagens dos mitos são sempre entes sobrenaturais e descrevem as diversas e, muitas vezes, dramáticas intervenções do sagrado ou do sobre-natural no mundo. De modo mais simplificado, pode-se dizer que o personagem mítico faz alguma coisa, tem uma ação.
A principal função do mito consiste em revelar os modelos exemplares de todos os ritos e atividades humanas significativas.
Para Moacyr Flores, "quando o mundo mental do homem primitivo não consegue explicar certos acontecimentos da natureza, recorre ao mito como resposta a uma visão ingênua e não histórica do mundo". E, acrescenta ele, "o mito é um universo de sombras, imprecisões e acontecimentos sobrenaturais que se desenvolve no inconsciente coletivo popular, despojando o personagem do fato histórico de sua dimensão humana, transformando-o em herói ou super-homem lendário.
A dinâmica da herança social, através de sua interação, modifica e acrescenta elementos ao mito, de tal maneira que surge a lenda transformada e transcendendo à própria história".
Nas sociedades arcaicas, o homem perguntava-se: Como? Onde? Por quê? E sempre que não possuía uma explicação lógica para algum fato, apelava para o sobrenatural e, nestas circunstâncias, tudo era aceito; o mito podia explicar qualquer coisa, desde a origem do mundo, do fogo, da água, até qualquer modificação nos fenômenos da natureza. Os mitos eram transmitidos através das gerações em rituais ou cerimônias nas quais os mais velhos iniciavam os mais novos no conhecimento dos segredos da criação.
Por outro lado, mito para Junito Brandão é "a linguagem imagística dos princípios", representação coletiva, transmitida através de várias gerações e que relata uma explicação do mundo.
O Brasil é rico em lendas e mitos que poderão se transformar em recursos pedagógicos valiosos no processo de ensino e de aprendizagem.
Lendas
No Rio Grande do Sul, as lendas podem ser agrupadas em:
a) geográficas – que se referem à criação de determinados lugares. como: Osório (Conceição do Arroio), Soledade, Tupanciretã, Cruz Alta, Cacimbinhas (Pinhei-ro Machado), Passo da Areia ou Obirici, Lagoa Parobé (Cavalo Encantado), Lagoa do Caverá (Cervo Encantado) ;
b)Missioneiras – que contam fatos da região das Missões: São Sepé (Lunar de Sepé), M'Bororé, M'Boiguaçu (Cobra Grande), Rio das Lágrimas;
c) de escravos – cuja origem remonta ao período de escrava-tura no Brasil, relacionadas aos negros: Santa Josefa, Torres Malditas (Igreja das Dores), Negrinho Antão (Sanga Funda), Cambaí (Iiio do Negrinho, São Gabriel) ;
d) campeiras – que têm a ver com as lides nas fazendas do Rio Grande do Sul, como é o caso do Negrinho do Pastoreio;
e) etiológicas – que explicam a origem e/ou o nome de algum lugar ou o porquê de alguma coisa, como as da criação do mundo, do homem, da mulher e do negro, as relacionadas à fuga da Sagrada Família, a da Festa do Céu, a do umbu, a do tico-tico, a do linguado e a da savelha, por exemplo.
Algumas lendas gaúchas
Tupanciretã – Diz a lenda que os padres jesuítas acompanhados por índios, ao entrarem mato a dentro procurando ervais, já ao cair da noite, foram surpreendidos por violento temporal. Desabrigados e cansados, parecia estarem entregues à fúria dos elementos, quando lhes apareceu, em meio à chuva, cercada por uma auréola de luz, a imagem de Nossa Senhora que, sorrindo, lhes apontava um lugar com a mão estendida. Os índios caíram de joelhos gritando Tupã-ci-re-tã (que quer dizer Terra da Mãe de Deus). Seguindo a indicação da mão de Nossa Senhora, encontraram abrigo numa pequena gruta existente no mato. No local, os padres fincaram a cruz de Cristo e ergueram uma capela, que poderia servir de abrigo a todos os que se perdessem no mato. Próximo à capela construíram um rancho. Esse arranchamento foi o início da cidade de Tupanciretã, em cuja praça principal está a imagem da Mãe de Deus, colocada no alto de um pedestal.
V Passo da Areia – Obirici – Em Porto Alegre, esta lenda possui estátua em logradouro público. Conta-se que Obirici era uma índia que se apaixonou pelo cacique. Tinha uma rival que também queria casar-se com o mesmo valente índio, que exigia que sua esposa soubesse manejar o arco e a flecha com grande destreza. As duas jovens apaixonadas decidiram disputar o amor do cacique num embate de arco e flecha. A que melhor atirasse casaria com o jovem. Jogaram e empataram; novamente jogaram e a mão de Obirici tremeu e a outra saiu-se melhor. Desesperada, a índia retirou-se para um lugar alto e sentou-se ao chão, chorando até morrer. Suas lágrimas abriram um canal: o riacho Passo da Areia.
Uma lenda brasileira
Vitória-Régia – Os velhos pajés das tribos da Amazônia contavam que, nos tempos do início do mundo, a Lua fazia seu passeio no céu e, quando terminava, desaparecendo atrás dos morros, escolhia uma jovem índia para trans-formar em estrela.
Naiá era uma moça indígena, filha de bravo cacique, mas muito diferente de suas irmãs de tribo. Era branca, de pele alva como o leite, os longos cabelos da cor das espigas de milho. Todos admiravam a beleza e a bondade da jovem. Ela desejava muito ser escolhida por Jaci (a Lua) para trans-formar-se em estrela cintilante.
A Lua não atendeu aos pedidos da jovem e ela, muito triste, todas as noites ia chorar perto do rio. E de tristeza foi definhando. Os curandeiros da tribo nada puderam fazer. A tristeza da jovem era maior do que seus conhecimentos.
Naiá passava as noites caminhando sob a luz do luar. Certa noite, já cansada de andar, sentou-se perto do rio e viu a imagem de Jaci refletida nas águas claras e serenas. Sem hesitar, a jovem jogou-se n'água para encontrar-se com a Lua que tanto amava, desaparecendo para sempre.
Durante muito tempo, os índios a procuraram inutilmente, mas ela não apareceu.
Jaci comovida atendeu ao pedido que as plantas da beira do rio e os peixes lhe fizeram e transformou a alma de Naiá numa linda flor que abre suas longas pétalas à luz da Lua. Assim surgiu a Vitória Régia, a bela flor do Amazonas.
Os caboclos a chamam de mururu, que significa: abre mais ou menos à meia-noite.
Mitos
Os mais conhecidos no mundo inteiro são os que se referem à criação do mundo, aos astros e estrelas, à criação do homem, da mulher, do fogo, da água, do fogo fátuo, enfim, aos fatos da natureza.
O Dilúvio, que pode ter originado o mito da água, aparece em todas as culturas, inclusive nas cristãs. O mito do fogo, que talvez tenha dado origem ao M'Boitatá, aparece também como lenda. Um dos mitos que contam a origem do fogo é o da Cobra Grande, a M'Boiguaçu, que comia outros animais. Depois do Dilúvio, ela passou a comer apenas os olhos dos animais mortos, ficando então luminosa. Ávida e insaciável, comeu tanto que estourou, espalhando a luz dos olhos dos animais que havia comido.
São muito conhecidos os mitos da criação do homem, da mulher e de outros animais. Quando Deus fez o mundo, o diabo, que na época era um anjo chamado Lúcifer, quis imitá-lo e tudo que Deus criava ele criava também, só que fazia errado ou mal feito. Deus criou o peixe, o diabo fez a cobra. Deus fez a águia, o diabo fez o corvo, Deus fez a pomba, o diabo fez o mor-cego.
Somente na região colonial italiana existe um mito que lembra os gnomos europeus: o sanguanel, o homenzinho vermelho que rouba crianças, trata-as bem e as devolve geralmente em lugares inacessíveis (em cima de uma árvore ou no meio de espinheiros).
Um mito gaúcho
Bruxa – É mito universal com variantes regionais. A crença mais comum é a de que a mulher nasce ou torna-se bruxa para cumprir uma sina. Acredita-se que, se um casal tiver tido sete filhas consecutivamente, a sétima será bruxa. Evita-se este fado fazendo a irmã mais velha batizar a mais nova. Torna-se bruxa (na concepção popular), a mulher que mantém relações sexuais com o compadre.
No Rio Grande do Sul, a bruxa não precisa, necessariamente, ser velha ou feia, (como é a bruxa européia, com uma verruga no nariz adunco); ela pode ser moça e até bonita. Olho-grande ou olho gordo é a arma que usa conscientemente para fazer o mal. Esse poder não só a bruxa possui; muita gente boa tem e não sabe.
As maiores vítimas da bruxa são as crianças, os animais e as plantas. Ela tem o mau costume de embruxar crianças. Suga a vida da criança pelo umbigo e, quando a criança sofre deste mal folclórico, o remédio é também folclórico: colocar figas nos pés e na cabeceira da cama do nenê e rezar três Ave-Marias, às 6 horas da manhã e às 6 horas da tarde, por três sextas-feiras seguidas. A maior arma contra a bruxa é a figa. Em quarto onde dorme criança pagã, deve-se conservar uma vela acesa para afugentar o perigo de ser embruxada (a bruxa não se aproxima de vela).
Para descobrir o nome da bruxa que embruxou a criança, a mãe (ou, na falta desta, a madrinha ou a avó) deve dizer três vezes no ouvido da criança o nome da pessoa de quem se suspeita. Se for a própria, a criança tem um estremecimento. Para desembruxar, espetam-se alfinetes numa camisinha da criança e saca-se no pilão. A bruxa sentirá as dores e ficará moída por muitos dias.
Existem casos também de casas embruxadas, nas quais ninguém consegue morar, tal a sequência de desastres que acontece. Se isso ocorrer, a casa deve ser desembruxada da seguinte maneira: limpa-se a peça maior da casa, de preferência a sala (tiram-se todos os móveis) e a dona da casa fica no meio da peça vazia e diz três vezes o nome da mulher que ela acha que é a bruxa. Deve ser a dona da casa, pois para o mal feito por mulher, mulher é quem tem que desfazer. Se acertar no nome, a bruxa em seguida aparece como por acaso.
Outra defesa contra a bruxa, muito usada na região de campanha, é a guampa com arruda dentro, fora da porta, ou atrás da mesma. A bruxa tem pavor de arruda e espirra quando está perto dessa planta. Esse é também um meio de identificar a bruxa. Uma réstea de alho tem o mesmo poder.
A bruxa gaúcha, diferentemente da européia, não usa vassoura, embora possa voar. Quando ela quer voar, transforma-se num borboletão preto e peludo. À noite, a bruxa anda a cavalo na campanha e trança as crinas dos mesmos. Ela monta o sinuelo (que comanda a tropa) e galopa toda a noite. A tropa acompanha. Quando amanhece, estão cansados e suarentos.
Alguns mitos brasileiros
Lobisomem – É um mito universal generalizado em todo o Brasil. A crença básica é a mesma: um homem que se transforma em cumprimento de uma sina ou fado. Existem inúmeras variantes de cunho regional.
Não é um homem mau, é uma vitima que tem um fado a cumprir. Deve fazer uma ronda nas noites de sexta-feira de lua cheia. Antes de morrer deve passar o seu fado para algum guri.
Nasce lobisomem o sétimo filho homem, se não for batizado pelo irmão mais velho, ou com o nome de Bento. Ou torna-se lobisomem o homem que mantiver relações sexuais com a madrinha de seu filho, ou mãe de seu afilhado, ou seja, a comadre. Uma variante bastante difundida é a que diz ser lobisomem o filho homem nascido depois de sete filhas. De qualquer forma, essa predestinação está ligada ao número 7, que a astrologia dos povos antigos acreditava ser fatídico.
Só se mata lobisomem com arma branca (faca, punhal). Não tem correspondente feminina.
M'Boitatá – Este mito universal que explica a origem do fogo é vigente em todas as regiões do Brasil, onde aparece com diversas designações.
Refere-se ao fogo fátuo, emanação de fosfato de hidrogênio, que é produto da decomposição de substâncias animais. E isso explica por que aparece sobre os cemitérios e nos campos, onde podem ser encontrados restos de animais mortos. Como o povo cria explicações sobrenaturais ou fantásticas para os fenômenos da natureza para os quais não possui o conhecimento científico, desse fato natural surgiu o mito e, com o mito, muitas outras lendas.
Dizem os antigos que o Boitatá é uma bola de fogo que corre sobre os campos ou sobre os cemitérios. Quem a vê deve ficar bem quieto, cerrar os olhos e fazer uma oração que ela desa-parece. Se for cavaleiro, deve jogar a armada do laço sobre a mesma que ela se desmancha e some no ar.
Aproveitamento didático
Lendas e mitos permitem desenvolver inúmeras atividades, em diferentes componentes curri-culares, como, por exemplo, em:
Língua Portuguesa
• Narração de fatos, em seqüência temporal e/ou causal.
• Descrição de personagens, cenários e objetos contidos nas lendas e mitos estudados.
• Leitura para buscar novas informações e por prazer.
• Produção de textos individuais ou coletivos.
• Uso de diferentes formas de fala e de registro da língua oral.
• Criação de histórias em quadrinhos.
• Comparação de lendas e mitos com outros textos literários do repertório infantil: fábulas e contos maravilhosos.
• Expressão, de forma clara e ordenada, de sentimentos, idéias e opiniões.
Educação Artística
• Criação de figurinos, cenários, painéis.
• Confecção de máscaras, fantoches, bonecos.
• Ilustração de textos.
• Uso do corpo como forma de expressão e de comunicação.
• Dramatização.
• Uso de desenho, pintura, colagem, modelagem.
Ensino Religioso
• Estudo de fatos bíblicos, a partir das lendas que se referem a santos, nascimento e morte de Jesus Cristo, fuga da Sagrada Família.
História e Geografia
• Localização no tempo e no espaço dos fatos contados, através das lendas e mitos.
• Sinais de lendas e mitos na paisagem cultural atual.
B I B L I O G RA F IA
BRANDÃO, Junito. Mitologia Grega s.n.t.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria do Ensino Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais. Artes. Brasília, 1996. Versão preliminar.
. Parâmetros curriculares nacionais. Conhecimentos históricos e geográficas. Brasília, 1996.
Versão preliminar.
Parâmetros curriculares nacionais. Língua Portuguesa. Brasília, 1996. Versão preliminar.
Parâmetros curriculares nacionais. Pluralidade cultural. Brasília, 1996. Versão preliminar.
ELIADE, Mircea. Mito e realidade. São Paulo :Perspectiva, 1994.
FLORES, Moacyr. Colonialismo e missões jesuíticas. Porto Alegre : Mercado Aberto, s.d.
RIBEIRO, Paula Simon. Folclore, aplicação pedagógica. Porto Alegre : Martins Livreiro, 1991.
RIO GRANDE DO SUL. Secretaria da Educação. Departamento Pedagógico. Padrão referencial de currículo. Porto Alegre, 1996. Documento básico.
PAULA SIMON RIBEIRO
Pós-Graduada em Folclore e em História das Artes.
Professora de Educação Artística.
Membro Efetivo da Comissão Gaucha de Folclore. Porto Alegre/RS

Personagens Folclóricos e Seres Imaginários
As lendas são caracterizadas por sua natureza fantástica, surpreendente, impressionante. No universo das lendas tudo é possível, não existem limites para a imaginação.
A lenda se refere a acontecimentos de um passado distante e fabuloso. É conhecida como "história falsa", que narra feitos de alguns heróis populares, explicando particularidades anatômicas de animais específicos. É contada como uma estória que destaca geralmente as aventuras de um herói que personifica as qualidades ou aspirações do povo que o tenha criado.
As lendas podem ser contadas por qualquer pessoa e a qualquer momento. No Brasil, o folclore sofreu muita influência dos povos que vieram para cá. Principalmente portugueses e africanos se misturaram com os índios criando uma cultura diversa e riquíssima. Os medos, as superstições, as crendices e as histórias contadas por esses povos tentavam explicar fenômenos que ainda não tinham sido decifrados, e daí nasciam os mais fantásticos seres, como o Curupira, Saci Pererê, Boitatá, Iara e tantas outras histórias que tentam explicar como surgiu a noite, por exemplo.
Contadas em volta de uma fogueira, passando de pai para filho, esses personagens e essas histórias habitaram a mente de muitos brasileiros, e nos dizem muito sobre essa mistura maravilhosa de raças que forma o nosso povo.
Sugestões de Atividades:
• Selecione vários livros sobre personagens folclóricos e seres imaginários. Deixe que os alunos os manuseiem, explorando-os e descobrindo curiosidades.
• Com as crianças sentadas em círculo, de forma mais informal, estimule uma conversa plural sobre os personagens: os que já conheciam, se acreditam, sua origem, os que nunca ouviram falar antes, etc.
• Com as crianças menores é possível nomear cada personagem e explorar suas formas e cores, local de origem e o que fazem.
• O professor pode listar as curiosidades e dúvidas das crianças e, em seguida, propor uma pesquisa em conjunto para responder todas as questões.
• Propor que as crianças, com base nos exemplos estudados e consagrados pelo conhecimento popular, criem os próprios seres imaginários, é uma tremenda aventura ficcional que certamente todos vão adorar.
• Desenhos, pinturas, modelagem e produções textuais sobre os personagens preferidos podem ser realizados.
• Escutar músicas sobre os personagens e uma lenda narrada em aparelho de som pode aguçar ainda mais a curiosidade.

Cara a cara com o personagem

O teatro de fantoches pode ser o ponto de partida para incentivar a turma.
Sugerimos uma conversa com a Iara. O professor pode, de forma lúdica, apresentar o fantoche às crianças e além de contar a sua história (lenda) deixar que os pequenos conversem com ela, perguntando o que quiserem.
Para as crianças maiores pode-se oferecer materiais diversos e deixar que elas próprias construam seu personagem. Um teatro com personagens variados interagindo pode ser bastante interessante.
O fantoche da foto foi construído com meia, papéis coloridos, linhas e paetês.























Lenda da Iara
Também conhecida como a “mãe das águas”, Iara é uma personagem do folclore brasileiro . De acordo com a a, de origem indígena, Iara é uma sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo).
A lenda conta qPersonagens Folclóricos e Seres Imaginários
As lendas são caracterizadas por sua natureza fantástica, surpreendente, impressionante. No universo das lendas tudo é possível, não existem limites para a imaginação.
A lenda se refere a acontecimentos de um passado distante e fabuloso. É conhecida como "história falsa", que narra feitos de alguns heróis populares, explicando particularidades anatômicas de animais específicos. É contada como uma estória que destaca geralmente as aventuras de um herói que personifica as qualidades ou aspirações do povo que o tenha criado.
As lendas podem ser contadas por qualquer pessoa e a qualquer momento. No Brasil, o folclore sofreu muita influência dos povos que vieram para cá. Principalmente portugueses e africanos se misturaram com os índios criando uma cultura diversa e riquíssima. Os medos, as superstições, as crendices e as histórias contadas por esses povos tentavam explicar fenômenos que ainda não tinham sido decifrados, e daí nasciam os mais fantásticos seres, como o Curupira, Saci Pererê, Boitatá, Iara e tantas outras histórias que tentam explicar como surgiu a noite, por exemplo.
Contadas em volta de uma fogueira, passando de pai para filho, esses personagens e essas histórias habitaram a mente de muitos brasileiros, e nos dizem muito sobre essa mistura maravilhosa de raças que forma o nosso povo.
Sugestões de Atividades:
• Selecione vários livros sobre personagens folclóricos e seres imaginários. Deixe que os alunos os manuseiem, explorando-os e descobrindo curiosidades.
• Com as crianças sentadas em círculo, de forma mais informal, estimule uma conversa plural sobre os personagens: os que já conheciam, se acreditam, sua origem, os que nunca ouviram falar antes, etc.
• Com as crianças menores é possível nomear cada personagem e explorar suas formas e cores, local de origem e o que fazem.
• O professor pode listar as curiosidades e dúvidas das crianças e, em seguida, propor uma pesquisa em conjunto para responder todas as questões.
• Propor que as crianças, com base nos exemplos estudados e consagrados pelo conhecimento popular, criem os próprios seres imaginários, é uma tremenda aventura ficcional que certamente todos vão adorar.
• Desenhos, pinturas, modelagem e produções textuais sobre os personagens preferidos podem ser realizados.
• Escutar músicas sobre os personagens e uma lenda narrada em aparelho de som pode aguçar ainda mais a curiosidade.

Cara a cara com o personagem

O teatro de fantoches pode ser o ponto de partida para incentivar a turma.
Sugerimos uma conversa com a Iara. O professor pode, de forma lúdica, apresentar o fantoche às crianças e além de contar a sua história (lenda) deixar que os pequenos conversem com ela, perguntando o que quiserem.
Para as crianças maiores pode-se oferecer materiais diversos e deixar que elas próprias construam seu personagem. Um teatro com personagens variados interagindo pode ser bastante interessante.
O fantoche da foto foi construído com meia, papéis coloridos, linhas e paetês.
Lenda da Iara
Também conhecida como a “mãe das águas”, Iara é uma personagem do folclore brasileiro . De acordo com a lenda, de origem indígena, Iara é uma sereia (corpo de mulher da cintura para cima e de peixe da cintura para baixo).
A lenda conta que a linda sereia fica nos rios do norte do país, onde costuma viver. Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto. As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.
Origem da personagem
Contam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara. Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.

Curiosidade: A palavra Iara é de origem indígena. Yara significa “aquela que mora na água”.
ue a linda sereia fica nos rios do norte do país, onde costuma viver. Nas pedras das encostas, costuma atrair os homens com seu belo e irresistível canto. As vítimas costumam seguir Iara até o fundo dos rios, local de onde nunca mais voltam. Os poucos que conseguem voltar acabam ficando loucos em função dos encantamentos da sereia. Neste caso, conta a lenda, somente um ritual realizado por um pajé (chefe religioso indígena, curandeiro) pode livrar o homem do feitiço.
Origem da personagem
Contam os índios da região amazônica que Iara era uma excelente índia guerreira. Os irmãos tinham ciúmes dela, pois o pai a elogiava muito. Certo dia, os irmãos resolveram matar Iara. Porém, ela ouviu o plano e resolveu matar os irmãos, como forma de defesa. Após ter feito isso, Iara fugiu para as matas. Porém, o pai a perseguiu e conseguiu capturá-la. Como punição, Iara foi jogada no rio Solimões (região amazônica). Os peixes que ali estavam a salvaram e, como era noite de lua cheia, ela foi transformada numa linda sereia.

Curiosidade: A palavra Iara é de origem indígena. Yara significa “aquela que mora na água”.
































12 de agosto de 2007
Brincadeiras Folclóricas

Brincadeiras Folclóricas

Amarelinha
Brincam quantas crianças quiserem e cada uma tem sua pedra. Quando não disputam na fórmula de escolha gritam: - Primeira! (será a primeira a começar) Segunda! Quem falar em segundo lugar será a segunda, assim sucessivamente. Desenham-se no chão as quadras da amarelinha, começando com o céu, 123456789 e 10 e inferno.
1) joga se a pedra na 1ª quadra, não podendo pular nela. Vai com um pé só nas casas de uma quadra e com os dois pés no chão, na quarta e quinta casa, sétima e oitava, no céu e inferno.
2) Segunda etapa: Chutinho. Vai se chutando a pedra que foi jogada perto, antes da amarelinha, com um pé só - deve começar tudo desde a quadra 1. A pedra não pode bater na risca, se errar passa para outra criança até chegar sua vez novamente.
3) Na terceira etapa, joga-se sem pedra. Com os olhos vendados diz - queimou? As outras respondem: - Não. Assim casa por casa até sua vez. Também na terceira casa é com um pé só. E os dois pés na 4ª e 5ª casas.

4) Quarta etapa: tirar casa - de costas joga-se a pedra para traz, onde cair, essa Casa será excluída. Risca-se com giz a mesma, podendo pisar nela com os dois pés.




CABO DE GUERRA
Você conhece uma expressão que diz: " A união faz a força"? Com esta brincadeira você e seus amigos vão testar quem tem mais força e mais união.Para brincar de "cabo-de-guerra", vocês precisarão de uma corda.Primeiro, escolham um espaço e tracem uma linha no chão para dividi-lo ao meio. As crianças devem ser separadas em dois times, sendo que cada time fica com um lado do espaço. Os participantes ficam em fila e todos seguram na corda. Posicionem a corda conforme o desenho ao lado.Alguém de fora dos grupos dá um sinal para começar a partida. Ele será também o juiz que fiscalizará o jogo de forças.
Os participantes devem puxar a corda, até que uma das equipes ultrapasse a linha no chão.Serão vencedores aqueles que puxarem toda a equipe adversária para o seu espaço.


PASSAR ANEL

Sentados numa roda o grupo tira a sorte para ver quem vai passar o anel. Todos devem unir as palmas das mãos e erguê-las na sua frente. Quem ganhou na sorte deve segurar o anel entre as palmas das mãos e passar as suas mãos pelas mãos dos componentes do grupo deixando o anel nas mãos de alguém que ele escolher, mas deve continuar fazendo de conta que continua passando o anel até o último do grupo.
Ao final pergunta a um dos participantes onde está o anel? Se este acertar ele será o próximo a passar o anel. Se errar, quem recebeu o anel é que passará, começando novamente a brincadeira.


CABRA-CEGA
(Também conhecido por cobra-cega, pata-cega, galinha-cega)
Todo mundo forma uma roda e fica de mãos dadas. Quem for escolhido para ser a cabra-cega fica com os olhos vendados e vai para o meio da roda. A cabra tem de agarrar alguém da roda, que não pode ficar parada: quem estiver do lado para onde a cabra estiver indo foge, quem está do outro lado avança. Se a cabra-cega for esperta, consegue pegar alguém que está atrás dela. Se a corrente da roda quebrar, o jogador que estiver do lado esquerdo de quem soltou a mão fica sendo a cabra, e a brincadeira começa de novo.


BRINQUEDO DE ESCONDER


Uma criança encosta-se a um muro de olhos fechados; as demais vão dando-lhe uma palmada dizendo:

Maria Macundê
Bate no ....
E vai-te escondê.

Cada qual procura esconder-se da melhor maneira e do esconderijo grita:
-"Já!". E a Mria Macundê sai a procura de suas companheiras. À primeira encontrada ela diz:
-"Estica tica" e essa a substitui.




JOGO DO PIÃO

O que é o que é?
Para andar se bota a corda
Para andar se tira a corda
Porque com corda não anda
Sem corda não pode andar

O pião é o brinquedo mais antigo que se conhece. Plínio e Virgílio em suas obras já comentavam a popularidade do pião entre as crianças romanas, mas acredita-se que o pião já foi brinquedo praticado pelos homens pré-históricos.
Tudo indica que os portugueses divulgaram esse jogo nos primeiros tempos da colonização brasileira. A existência do pião em Portugal, em tempos passados, é confirmada por Teófilo Braga, no Cancioneiro de Resende e nas Ordenações Afonsinas, que cita, entre alguns jogos de sociedade do século XV, o pião:
É o jogo do piam Favor se lhe de voar. (apud Lima, 1966, p. 275)
Para brincar com o pião é só enrolar uma corda da ponta ao corpo do pião, segurando uma ponta. Depois, é só atirar o pião em direção ao chão, desenrolando o barbante de um impulso só. O brinquedo cai no chão rodopiando e assim permanece durante um bom tempo. Você pode ampará-lo com a mão, para que ele passe a girar sobre a palma ou mesmo sobre o seu dedo.





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